Os livros, pelo menos para mim, são sempre o melhor vício
para combater outros vícios. Não são a salvação da minha vida. São um vício:
outros meteram-se na farinha, eu meti-me no pó dos livros. E também sou um pau de
virar tripas como qualquer grande drogado: a magreza faz parte da tipologia geral de um viciado. Diz-me a minha Consciência (com
maiúscula, porque é um nome próprio), chatinha às vezes, chata como a putaça
outras vezes: “Mais vale estoirares tempo e dinheiro com livros do que com outras
merdas frívolas, como sexo, drogas e rock 'n' roll”. Ela é chata, está bem de ver, e
não gosta de boa música e de boa vida. Nem me orienta no caminho da salvação. Mas é a minha única fiel amiga. Ressaca.

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